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Márcio Castello com seu pai e seus amigos após o bicampeonato da Libertaores em Lima 2019. Foto: Divulgação
Márcio Castello com seu pai e seus amigos após o bicampeonato da Libertaores em Lima 2019. Foto: Divulgação
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“Estou em casa. Estou no Flamengo”: a história de Márcio Castello e sua intensa paixão pelo rubro-negro

De viagens de ônibus na adolescência a partidas acompanhadas em diferentes países, a trajetória de Márcio Castello mostra como a paixão pelo Flamengo ultrapassou as arquibancadas e se tornou parte de sua vida, de sua família e de suas amizades.

Renan de Oliveira Pagani
Renan de Oliveira PaganiLeitura: 9 minutos

Para algumas pessoas, o futebol é um programa de fim de semana. Para outras, é assunto de conversa, motivo de comemoração ou de tristeza. Para Márcio Castello, porém, o Flamengo ocupa um espaço muito maior. Está nas amizades, nas viagens, nas escolhas profissionais e nas lembranças que carrega desde a infância.

Nelson Rodrigues dizia que o futebol é “a coisa mais importante das coisas menos importantes”. Márcio, porém, discorda dessa ideia. Para ele, o futebol está entre as coisas mais importantes da vida. Essa diferença ajuda a entender a dimensão que o rubro-negro ocupa em sua trajetória: não se trata apenas de acompanhar um time, mas de construir relações, conhecer lugares e viver experiências que continuam muito além dos 90 minutos de uma partida.

Márcio Castello com a taça da libertadores. (Foto: Divulgação).
Márcio Castello com a taça da libertadores. (Foto: Divulgação).

A paixão vem de berço

A relação com o clube começou cedo. Márcio não consegue apontar uma data exata para o início da paixão, porque, segundo ele, não se lembra de uma vida sem o Flamengo. Criado em uma família na qual o futebol também fazia parte da rotina, encontrou no time rubro-negro algo que, com o passar dos anos, deixaria de ser apenas uma preferência esportiva.

“Não tem exatamente uma data. Mas não lembro da minha vida sem o Flamengo. Desde pequenininho… Sempre fui Flamengo”, conta.

A paixão ganhou força entre brincadeiras, provocações e a influência familiar. O pai, João Dalmacio, também gostava do clube e, em algumas ocasiões, levava o filho para acompanhar partidas no Rio de Janeiro. Já os tios, torcedores do Vasco, alimentavam a rivalidade dentro de casa. As provocações entre os familiares contribuíram para fortalecer ainda mais a identificação de Márcio com o vermelho e o preto.

Com o tempo, o que começou na infância se transformou em um modo de viver. Ainda adolescente, ele já viajava de ônibus de Vitória, no Espírito Santo, até o Rio de Janeiro para acompanhar o Flamengo. Passava pela Gávea, chegava cedo ao Maracanã e ajudava a estender bandeiras das torcidas organizadas antes de a bola rolar.

A irmã, Paula Castello, guarda lembranças dessa paixão desde muito cedo. Nos aniversários, os bolos costumavam reproduzir campos de futebol, com figuras ligadas ao Flamengo. Dentro de casa, o clube já fazia parte das comemorações e da memória afetiva da família.

Em uma dessas viagens ao Rio, Márcio telefonou para casa usando um orelhão, por meio de uma ligação a cobrar. A mãe, preocupada, quis saber por que ele ainda não havia viajado. A resposta veio com a convicção de quem já sabia onde se sentia em casa:

“Estou em casa. Estou no Flamengo!”

A partir daí, já dava para perceber que o Flamengo era sinônimo de casa para Márcio.

Anos mais tarde, João também seria homenageado pelo Flamengo: em 2024, o goleiro Rossi entrou em campo com uma camisa com o nome do pai de Márcio, por meio do programa Anjo da Guarda. O gesto reforçou uma ligação com o clube que atravessou gerações e acompanhou a história da família.

Marcio e seu pai com a camisa feita para homenagear seu João utilizada pelo goleiro Rossi. (Foto: Divulgação)
Marcio e seu pai com a camisa feita para homenagear seu João utilizada pelo goleiro Rossi. (Foto: Divulgação)

Olimpíadas e Copas do Mundo também entraram no roteiro

Márcio começou a viajar pelo exterior para ver as Olimpíadas e as Copas do Mundo de perto. Esteve presente em Copas do Mundo na Alemanha, na África do Sul, no Brasil e na Rússia, além de ter acompanhado edições dos Jogos Olímpicos em Pequim, Londres, no Rio de Janeiro e em Paris.

Em Pequim, nos Jogos Olímpicos de 2008, Márcio acompanhou a conquista do ouro de César Cielo na natação. Ele viajou para a China com a família do nadador e, durante a estadia, encontrou os familiares algumas vezes.

No dia da final, havia poucos brasileiros no Cubo d’Água, o centro aquático olímpico. Depois da vitória, Márcio e o amigo Bernardo comemoraram ao lado da família de Cielo. Cerca de 20 minutos depois da cerimônia do pódio, os familiares foram convidados pela equipe da TV Globo para encontrar o atleta na zona mista.

Márcio e seus amigos acompanharam o grupo, passando por áreas restritas até serem questionados por uma profissional da emissora. O pai de Cielo interveio e garantiu que os dois estavam com a família. Assim, os torcedores conseguiram encontrar o nadador e tirar fotos com ele e com a medalha de ouro.

Márcio e César Cielo na Olimpíadas de 2008. (Foto: Divulgação).
Márcio e César Cielo na Olimpíadas de 2008. (Foto: Divulgação).

Dessa vez, foi em casa

Anos depois, outra conquista olímpica proporcionou uma experiência semelhante. Nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, Alison Cerutti, conhecido como Alison “Mamute”, conquistou o ouro no vôlei de praia ao lado de Bruno Schmidt. Como Bernardo era amigo do atleta, convidou Márcio e o companheiro de viagens para uma festa de comemoração em uma mansão no Rio, ao lado da equipe e dos familiares do jogador. A celebração atravessou a madrugada e terminou pela manhã.

As experiências em Copas do Mundo e Olimpíadas ajudaram a consolidar em Márcio uma forma de viajar: partir em busca do esporte, acompanhar de perto os grandes acontecimentos e transformar cada competição em uma experiência pessoal. Foi justamente essa rotina que levou a uma pergunta decisiva.

Se ele já atravessava o mundo para acompanhar a seleção brasileira e os principais eventos esportivos, por que não fazer o mesmo pelo Flamengo?

“Se eu viajava pra Copa do Mundo, por que não iria viajar atrás do Flamengo no exterior? Coisa que pra mim fazia muito mais sentido do que viajar atrás da seleção brasileira”, explica.

A partir disso, o mapa do torcedor ganhou novas cores. Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Uruguai, Peru, Equador e Colômbia estão entre os países sul-americanos que receberam Márcio em viagens para acompanhar o clube. A experiência também o levou aos Estados Unidos, ao Marrocos e ao Catar.

“Só sei que, enquanto eu tiver um pouco de saúde e dinheiro, não pretendo parar de ver o Flamengo jogar pelo mundo. Adoro viajar, conhecer lugares e amo ver o Flamengo. Juntei duas coisas que eu adoro fazer. Viajar e ver jogo do Flamengo”, afirma.

Márcio e Alisson comemorando o Ouro Olímpico. (Foto: Divulgação).
Márcio e Alisson comemorando o Ouro Olímpico. (Foto: Divulgação).

Lima, 2019: a viagem mais épica

Entre tantos destinos, uma viagem ocupa um lugar especial na história de Márcio: a final da Copa Libertadores de 2019, em Lima, no Peru.

Ele acompanhou a decisão ao lado do pai e de amigos. Naquele dia, o Flamengo enfrentou o River Plate em uma partida que parecia caminhar para uma derrota. O time argentino estava em vantagem, e o relógio avançava. Nos minutos finais, porém, dois gols de Gabigol mudaram o destino do jogo e garantiram o título rubro-negro.

“A mais épica, sem sombra de dúvidas, foi na final da Libertadores em Lima, 2019”, relembra.

A presença do pai torna a memória ainda mais significativa. João acompanhou parte dessa trajetória de perto, desde a infância, quando levava o filho aos jogos, até as viagens que marcaram a vida dos dois.

Rafael, amigo de Márcio e fundador da Urubuzada, também esteve em Lima. Ele lembra a tensão dos minutos finais e a sensação provocada pelos dois gols de Gabigol. O calor intenso, a dificuldade para encontrar água e o nervosismo diante da possibilidade de perder o título fizeram parte de uma noite que terminou em comemoração.

Márcio e seu pai na final da Libertadores em Lima 2019. (Foto: Divulgação).
Márcio e seu pai na final da Libertadores em Lima 2019. (Foto: Divulgação).

Nem toda estrada termina em comemoração

Mas nem toda estrada leva à comemoração. Uma das histórias mais difíceis aconteceu em 2006, quando Márcio morava em São Paulo e decidiu viajar até Campinas para assistir a uma partida contra a Ponte Preta.

O que deveria ser um deslocamento para ver o time se transformou em uma experiência marcada por uma chuva torrencial. O trajeto demorou muito mais do que o esperado, as ruas ficaram alagadas e carros chegaram a ser arrastados pela força da água. Em determinado momento, depois de esperar cerca de 20 minutos, Márcio precisou atravessar a pé um trecho com água na altura dos joelhos e correnteza.

Ele conseguiu chegar ao estádio. O problema é que, dentro de campo, o Flamengo perdeu por 3 a 0.

A lembrança ficou marcada tanto pelas dificuldades do caminho quanto pelo resultado. É um exemplo de que a paixão não garante finais felizes. Às vezes, o torcedor enfrenta horas de viagem, chuva e imprevistos para voltar para casa frustrado com o desempenho do time.

Márcio em Oruro na Bolívia. (Foto: Divulgação).
Márcio em Oruro na Bolívia. (Foto: Divulgação).

Amizades que vão além do Flamengo

Gustavo Cani, de 49 anos, conhece essa disposição de perto. A amizade com Márcio começou quando os dois ainda eram garotos e compartilhavam a paixão pelo Flamengo. A primeira viagem juntos ao Rio de Janeiro, segundo Cani, aconteceu em 23 de maio de 1993, para o jogo entre Flamengo e Vasco no Maracanã. Márcio tinha 17 anos; Cani, 15.

Márcio já estava acostumado a ir ao Rio para ver o Flamengo, em excursões ou sozinho. Sabia se virar pela cidade e conhecia os caminhos do estádio. Cani, por outro lado, tinha ido a poucos jogos quando criança, sempre acompanhado do pai. Por isso, quando recebeu o convite, o pai ficou preocupado, fez várias recomendações e deu dinheiro para que o filho andasse de táxi e comprasse uma cadeira especial, equivalente ao que hoje seria o Maracanã Mais.

Os dois saíram de Vitória em um ônibus de linha no sábado à noite e chegaram cedo ao Rio. A partir daí, porém, Márcio foi derrubando uma a uma as recomendações do pai do amigo. Táxi não foi necessário: eles rodaram a cidade inteira de ônibus, passando por Ipanema, pela praia, pela Gávea e, depois, pelo Maracanã.

Cani ainda estava assustado, porque nunca havia viajado daquela maneira sem o pai. Márcio, no entanto, circulava pelo Rio como se estivesse no quintal de casa.

No Maracanã, Márcio conhecia pessoas das torcidas organizadas e parava para conversar. Em uma dessas ocasiões, apontou para o amigo e brincou:

“Olha aí, o playboy quer ir de cadeira especial”.

A provocação encerrou qualquer possibilidade de assistir ao jogo no setor reservado. Cani comprou uma entrada para a arquibancada, diretamente com integrantes da torcida organizada.

O problema é que ele estava com medo. Na época, havia conflitos entre as próprias torcidas organizadas do Flamengo. Ao perceber a preocupação do amigo, Márcio perguntou a um dos torcedores se o ambiente estava perigoso. A resposta, em vez de tranquilizá-lo, tornou a situação ainda mais assustadora:

“Não, agora está tranquilo. Já matamos o cara que dava problema”.

Para um garoto de 15 anos, a frase teve o efeito oposto ao pretendido.

Pouco depois, um grupo passou em fila, pulando e cantando: “Comando Caxias, fonte do terror, aqui só entra maconheiro e cheirador”. Cani se perguntava onde havia se metido. Quando olhou para o lado, Márcio já estava no meio do grupo, pulando atrás dos torcedores.

Durante a partida, começou justamente uma briga entre torcidas do Flamengo. Cani procurou o amigo e o encontrou escalando a grade para pular para a cadeira especial. No fim, além do tumulto, veio a derrota: o Flamengo perdeu por 1 a 0 para o Vasco.

Apesar do susto, os dois voltaram vivos para Vitória. Depois daquele jogo, acompanharam muitos outros juntos, sempre na arquibancada. A cadeira especial nunca mais entrou no roteiro da dupla.

Márcio e Cani disfarçados de preto para assistirem Palmeiras X Flamengo em São Paulo. (Foto:Divulgação).
Márcio e Cani disfarçados de preto para assistirem Palmeiras X Flamengo em São Paulo. (Foto:Divulgação).

Anos mais tarde, a paixão pelas viagens e pelas arquibancadas também renderia um susto a Maneco, amigo de Márcio. Durante o Mundial de Clubes de 2025, no Catar, um problema envolvendo o material de uma torcida organizada e a autorização para uma faixa levou o grupo à delegacia. Um amigo havia falsificado a autorização, e Maneco acabou detido por cerca de seis horas. O responsável pela falsificação permaneceu preso por quatro dias. Márcio viu a polícia levar o companheiro e ficou desesperado, tentando encontrá-lo. Apesar da tensão, Maneco foi liberado e os dois voltaram a acompanhar o Flamengo, levando mais uma história inesperada na bagagem.

Marcio, Maneco e seus amigos viajando no exterior. (Foto: Divulgação).
Marcio, Maneco e seus amigos viajando no exterior. (Foto: Divulgação).

Um torcedor ilustre

Francisco Moraes, amigo de Márcio e torcedor ilustre do Flamengo, conheceu o torcedor durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Os dois já tinham algum contato por meio de textos e entrevistas, mas a relação pessoal começou de forma bem-humorada. Moraes pediu uma carona até o centro da cidade; Márcio respondeu que o motorhome estava cheio e acabou deixando o pedido sem solução naquele momento.

A aproximação cresceu depois, especialmente pelo envolvimento de ambos com a vida política do Flamengo. Moraes conta que Márcio ajudou a mobilizar sócios no Espírito Santo em um período de articulação por mudanças na gestão do clube. A participação se conectou ao movimento que ficou conhecido como Chapa Azul, responsável pela eleição de Eduardo Bandeira de Mello à presidência.

O envolvimento de Márcio não se resume a acompanhar partidas. Ele também participa da vida institucional do clube como conselheiro e procura contribuir quando acredita que pode ajudar.

Outro capítulo dessa relação envolve Zico. Foi Moraes quem levou Márcio para conhecer o ídolo e participar do caminho que possibilitou a chegada da marca Zico 10 ao Espírito Santo. A iniciativa se conectou à trajetória empresarial do torcedor e aproximou ainda mais a paixão pelo futebol de seus projetos profissionais.

Marcio e Moraes juntos em mais uma viagem para acompanhar o Flamengo.(Foto:Divulgação).
Marcio e Moraes juntos em mais uma viagem para acompanhar o Flamengo.(Foto:Divulgação).

A Urubuzada e a participação nas arquibancadas

A participação de Márcio também passou pelas arquibancadas organizadas. Em 2006, ele esteve entre os primeiros integrantes da Urubuzada, grupo que cresceu nos anos seguintes e ganhou espaço nas arquibancadas com bandeiras, mosaicos, papel picado, balões e outras formas de apoiar o time.

Rafael, que conheceu Márcio por meio da Urubuzada, conta que a torcida foi fundada em 2006 e que Márcio entrou logo no início, possivelmente em 2006 ou 2007. Mesmo morando fora do Rio de Janeiro, ele era assíduo nos jogos no Maracanã e também encontrava os amigos em partidas fora de casa.

Naquele período, a Urubuzada buscava renovar a maneira de apoiar o Flamengo. Segundo Rafael, o grupo investia em novas músicas e festas nas arquibancadas, com bandeirões, papel picado, bolas, mosaicos e outros elementos visuais. A ideia era fazer cada jogo ter algo diferente, criando desafios para ampliar a participação da torcida e tornar o ambiente mais vibrante.

Entre 2006 e 2010, a Urubuzada viveu um período de crescimento. Rafael avalia que o movimento ajudou a impulsionar mudanças também entre outras torcidas. Com o tempo, o trabalho e as responsabilidades reduziram a participação diária de alguns integrantes, mas Márcio continuou contribuindo de longe.

Em jogos fora do Brasil, quando havia poucos torcedores para cantar, ele ajudava a puxar as músicas e a organizar a bateria. Rafael recorda que, no Mundial de Clubes em Doha e também nos Estados Unidos, Márcio se envolveu diretamente para manter o apoio nas arquibancadas.

A dedicação da família ao clube também foi reconhecida pelo Flamengo. Seu João, pai de Márcio, recebeu o título de sócio honorário durante a gestão de Eduardo Bandeira de Mello, em reconhecimento aos serviços prestados ao rubro-negro.

Apesar da proximidade com a política rubro-negra, ele prefere preservar sua identidade principal: a de torcedor.

“Só quero ajudar quando posso e reclamar sempre que tenho vontade. Não quero ser nada além de torcedor”, afirma.

Márcio Castello com seus amigos no antigo Maracanã. (Foto: Divulgação).
Márcio Castello com seus amigos no antigo Maracanã. (Foto: Divulgação).

A paixão que também faz parte da família

Uma paixão que ocupa tanto espaço na vida de alguém inevitavelmente também faz parte da rotina familiar. Para Fabiana, esposa de Márcio, o tamanho dessa relação foi ficando mais evidente ao longo do relacionamento.

Os dois se conheceram por meio de amigos em comum. Ela já sabia que ele era flamenguista, mas conta que não imaginava que a ligação com o clube chegasse àquele nível. As viagens para acompanhar partidas, Copas do Mundo e Jogos Olímpicos fazem parte da rotina, sem que isso represente um impedimento dentro do casamento.

Fabiana diz que não coloca restrições às viagens. Para ela, é importante que Márcio tenha liberdade para fazer aquilo que o deixa feliz.

Fabiana e Márcio juntos com seu filho Arthur.(Foto: Divulgação).
Fabiana e Márcio juntos com seu filho Arthur.(Foto: Divulgação).

A relação com o Flamengo também aparece em momentos que misturam futebol e vida pessoal. Uma história bastante comentada sobre o casamento do casal envolve a camisa rubro-negra. Márcio esclarece, porém, que não se casou com o uniforme por baixo do terno, como conta a versão que circula entre conhecidos. Ele chegou a pensar na possibilidade, mas a ideia não foi aprovada pela família. A camisa apareceu durante a festa, quando os amigos também vestiram o manto em sua homenagem.

Márcio e seus amigos vestidos de Flamengo na festa de casamento. (Foto:Divulgação).
Márcio e seus amigos vestidos de Flamengo na festa de casamento. (Foto:Divulgação).

Já a escolha do nome do filho foi uma decisão assumidamente ligada ao ídolo. Arthur recebeu esse nome em homenagem a Zico, cujo nome completo é Arthur Antunes Coimbra. O futebol, assim, também se tornou parte de uma herança afetiva passada para a próxima geração.

Márcio e Arthur Castello juntos entrando no Maracanã. (Foto: reprodução/ Instagram @marciocastello).
Márcio e Arthur Castello juntos entrando no Maracanã. (Foto: reprodução/ Instagram @marciocastello).

Mesmo sem acompanhar o esporte com a mesma intensidade do marido, Fabiana gosta de ir ao estádio e sentir a energia da torcida. A irmã Paula enxerga algo semelhante. Para ela, Márcio sabe aproveitar a vida e investe tempo e recursos naquilo que lhe dá alegria.

Os sobrinhos também compartilham a mesma paixão

A paixão pelo Flamengo também chegou à geração seguinte da família. Caio e Lucas, irmãos e filhos de Paula Castello, cresceram acompanhando de perto o entusiasmo do tio Márcio pelo clube.

Os dois tiveram a oportunidade de entrar no gramado do Maracanã, uma experiência que transformou em realidade parte do imaginário construído desde a infância. Para Caio e Lucas, pisar no campo onde o tio viveu tantas histórias representou mais do que conhecer um estádio: foi sentir, de perto, a dimensão da paixão que sempre fez parte da família.

A presença dos irmãos no Maracanã reforça como o Flamengo atravessou gerações dentro da casa dos Castello. O que começou com Márcio e marcou também a trajetória de Paula passou a fazer parte das lembranças de Caio e Lucas, que carregam consigo a mesma ligação afetiva com o rubro-negro.

Márcio com seu pai e seus sobrinhos juntos na homenagem do Flamengo ao pai no Maracanã. (Foto: Reprodução/Instagram @marciocastello).
Márcio com seu pai e seus sobrinhos juntos na homenagem do Flamengo ao pai no Maracanã. (Foto: Reprodução/Instagram @marciocastello).

O futebol também virou profissão

Além das viagens e da participação na vida do clube, Márcio construiu uma trajetória profissional ligada ao esporte. É proprietário da Golaço e mantém a Escola de Futebol Zico 10, projeto que se conecta diretamente à admiração pelo ídolo que acompanha desde a infância.

Em Vitória, Márcio ainda está à frente do Tennis Lounge, uma academia de tênis localizada em Jardim da Penha. São caminhos diferentes, mas que mantêm o esporte presente na rotina.

Mesmo com tantas experiências acumuladas, ainda há destinos que deseja conhecer acompanhando o clube. Venezuela e Japão estão entre os lugares que gostaria de visitar em futuras viagens rubro-negras.

Zico indo visitar o Golaço. (Foto: Divulgação).
Zico indo visitar o Golaço. (Foto: Divulgação).

Uma paixão que continua depois do apito final

Ao olhar para a própria trajetória, Márcio não tenta encontrar uma explicação definitiva para o que sente. São muitas viagens, jogos, encontros e lembranças, mas nenhuma delas parece suficiente para traduzir completamente a relação com o clube.

A paixão está na final de Lima, nas partidas internacionais, nas homenagens recebidas, nos deslocamentos difíceis, nas derrotas que frustram e nas amizades construídas. Está também na lembrança do pai, nas viagens que marcaram a adolescência e no nome escolhido para o filho.

“Paixão pelo Flamengo é inexplicável… Ser Flamengo é algo indescritível, é uma loucura inexplicável, é uma paixão imensurável, é uma sensação que só sente quem é Flamengo”, define

Enquanto houver saúde, recursos e um Flamengo em campo, Márcio pretende continuar viajando. Novos estádios, novos países e novas histórias ainda podem entrar no roteiro. Algumas viagens terminarão em comemoração; outras, em frustração. Mas a vontade de estar presente permanece.

Marcio com seus amigos após o tetracampeonato da Libertadores, novamente em Lima 2025. (Foto: Divulgação).
Marcio com seus amigos após o tetracampeonato da Libertadores, novamente em Lima 2025. (Foto: Divulgação).

Para Márcio Castello, o rubro-negro não é apenas um time que acompanha. É parte da história que construiu, uma história que começou muito antes das viagens internacionais e que continua sendo escrita a cada jogo.

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Sobre o autor

Renan de Oliveira Pagani

Renan de Oliveira Pagani é jornalista, apaixonado por histórias de superação no esporte. Atua na cobertura esportiva com um olhar voltado para o impacto humano por trás das competições. Acredita no jornalismo esportivo como forma de aproximar o público das histórias reais que acontecem dentro e fora das quadras.

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