O caminho antes da linha de chegada: a história de como a Maximize construiu seu espaço no esporte capixaba
Há mais de duas décadas, a Maximize constrói sua história no Espírito Santo a partir de uma ideia simples: resultados são consequência de um processo que respeita o tempo, os objetivos e a realidade de cada atleta.
Renan de Oliveira Pagani··Leitura: 8 minutos
Antes de chegar a uma grande prova, existe um caminho. Na Maximize, esse caminho começa com três valores que orientam o trabalho da assessoria desde sua criação: ética, responsabilidade e transparência. A ideia é não vender atalhos, não criar expectativas que não possam ser sustentadas e entender que cada atleta precisa passar pelas próprias etapas.
Foi com essa maneira de enxergar o esporte que Luiz Santos e Fairo Brasil começaram a construir a Maximize. O que surgiu como uma ideia durante a faculdade se transformou, ao longo de mais de duas décadas, em uma assessoria que reúne corredores, nadadores e triatletas com objetivos, rotinas e histórias diferentes.
Para Fairo, o resultado não deve ser tratado como uma promessa feita ao atleta, mas como consequência de um trabalho bem construído.
“Para nós, rendimento não é uma promessa. É consequência de um processo bem construído.”
A frase resume uma filosofia que vai além da planilha de treinamento. Para a Maximize, o trabalho envolve entender o momento de cada pessoa, adaptar o treinamento à sua realidade e respeitar o tempo necessário para que a evolução aconteça. É um processo que exige conhecimento, acompanhamento e, principalmente, responsabilidade com quem está do outro lado.
Equipe da Maximize reunida em mais uma prova.(Foto: Reprodução/Instagram @maximizeseutreino).
Uma ideia que começou na faculdade
A história da Maximize começou antes mesmo de a empresa existir. Luiz e Fairo se conheceram durante o período da faculdade, na UFES e compartilhavam a relação com o esporte, embora viessem de experiências diferentes.
Luiz tinha uma trajetória ligada aos esportes coletivos, especialmente ao futebol, além da corrida. Fairo vinha da natação, modalidade que praticava desde criança e na qual chegou a competir em campeonatos brasileiros. A amizade entre os dois acabou se transformando em uma parceria profissional.
A inspiração para o negócio surgiu a partir do contato com um modelo de assessoria esportiva que começava a ganhar espaço em São Paulo. A 4any1, junto com o seu treinador Aullus Sellmer, vinha com uma proposta que chamou a atenção dos futuros sócios porque, naquele momento, Vitória ainda não tinha um serviço semelhante estruturado da mesma maneira.
Mas transformar a ideia em realidade não foi simples.
O cenário para a implementação de uma assessoria esportiva no Espírito Santo era desanimador. Em Vitória, não havia uma cultura consolidada de corrida orientada e o serviço ainda era pouco conhecido. Para o público da época, pagar por acompanhamento profissional para correr não era algo comum.
Para enfrentar esse mercado, os sócios reuniram profissionais com conhecimentos diferentes dentro do esporte, principalmente nas áreas de natação, ciclismo e corrida. A estratégia inicial foi buscar outros caminhos para apresentar o trabalho e gerar receita. A equipe passou a desenvolver projetos voltados para grandes empresas, com avaliações físicas, corridas de aventura para grupos corporativos e prescrição de treinos ao ar livre.
Foi assim que a Maximize começou a ocupar seu espaço no Espírito Santo: não apenas ensinando uma nova maneira de treinar, mas também apresentando ao público uma nova forma de se relacionar com o esporte.
Aos poucos, aquela ideia inicial começou a ganhar uma identidade própria. E foi justamente na construção desse trabalho que surgiu uma das principais características da Maximize: desenvolver um método que buscasse melhorar a performance sem deixar de lado a saúde e a realidade de cada atleta.
Luiz Santos e Fairo Brasil em sua formartura. (Foto: Reprodução/Instagram @fairobrasil).
Menos pressa, mais processo
Com o passar dos anos, a Maximize desenvolveu sua própria maneira de trabalhar. O chamado Smart Training parte de conceitos utilizados no treinamento esportivo de alto rendimento, mas adaptados para atletas amadores.
A proposta é buscar eficiência: menos volume quando possível, mais intensidade, recuperação adequada e uma atenção maior à individualidade de cada pessoa.
Fairo explica que a metodologia foi construída a partir de uma base já existente, mas ganhou características próprias com quase uma década de experiência prática e fundamentação científica. A ideia é desenvolver treinamentos mais eficientes e adaptados às diferentes modalidades e realidades dos atletas.
Para Luiz, um dos desafios atuais do esporte é justamente a pressa. As redes sociais aumentaram a comparação entre atletas e criaram a sensação de que a evolução precisa acontecer rapidamente. Para ele, cada pessoa precisa respeitar sua própria curva de desenvolvimento e compreender que o corpo precisa de tempo para se adaptar.
É uma filosofia que Fairo resume de maneira direta:
“Na Maximize, nós não pulamos etapas. Respeitamos cada fase do processo porque entendemos que o resultado precisa ser construído de maneira coerente, progressiva e segura.”
Uma história construída também no Esporte Paralímpico
A relação de Fairo com o esporte também ultrapassa as modalidades mais tradicionais da Maximize. Paralelamente ao trabalho com a assessoria, ele construiu uma trajetória no esporte paralímpico.
Essa aproximação começou a partir de um projeto de natação, quando conheceu uma pessoa com deficiência e passou a se envolver com o paradesporto de rendimento. Foi também nesse caminho que reencontrou um antigo amigo da época da faculdade, Leonardo Miglinas, com quem participou da criação da Associação Capixaba Paralímpica de Desporto.
O trabalho levou Fairo a acompanhar atletas que conquistaram medalhas nos Jogos Paralímpicos do Rio, Tóquio e Paris. Entre eles está Pedro Moschen, para-atleta de triatlo com deficiência visual, que também é campeão brasileiro na categoria PTVI.
Para Fairo, essa experiência vai além dos resultados. O contato com atletas paralímpicos trouxe uma nova perspectiva sobre o esporte e também se tornou uma fonte de motivação pessoal. A convivência com essas pessoas, segundo ele, traz “uma energia extra” para continuar trabalhando e acreditando no potencial transformador do esporte.
Essa vivência também reforçou uma ideia que está presente na própria Maximize: cada atleta possui uma trajetória diferente e precisa ser compreendido a partir de sua realidade. Para Fairo, o esporte paralímpico mostrou que nem todas as limitações são físicas e que muitas barreiras também podem estar na forma como as pessoas enxergam suas próprias possibilidades.
É uma experiência que ampliou o olhar de Fairo sobre o esporte e ajudou a fortalecer uma das ideias que estão no centro da Maximize: antes de pensar no resultado, é preciso entender a pessoa que está tentando alcançá-lo.
Pedro Moschen, á direita e com camisa verde,com seu Treinador Fairo Brail e amigos logo após uma competição.(Foto: Reprodução/Instagram @moschenpedro).
De pai para filho
Arnaldo Pagani chegou à Maximize por uma coincidência. Ele começou a correr depois de ser convidado por amigos enquanto treinava na Vitória Esporte. Entre eles estavam Felipe Finamore, mais conhecido pelo apelido de Caçapa, que fazia parte da Vitória Runner, e Marcos Buaiz, que apresentou a Arnaldo a Maximize. No fim, alguns dos amigos já treinavam na assessoria e ele acabou seguindo o grupo.
Foi Luiz quem passou a acompanhá-lo nos treinos. Desde então, Arnaldo encontrou na corrida não apenas uma atividade física, mas também uma forma de cuidar do corpo e da mente. Para ele, correr ajuda a desacelerar a cabeça e lidar com uma mente acelerada. E essa característica acabou sendo compartilhada com o filho, Renan Pagani, que também se identifica com essa mente acelerada e encontrou na corrida uma maneira de organizar os pensamentos e canalizar essa energia.
A primeira experiência dos dois aconteceu na Austrália. Arnaldo correu 10 quilômetros, enquanto Renan começou com 3 quilômetros, parou e depois completou mais 2. Foi o suficiente para que a corrida também entrasse de vez na vida do filho.
Depois vieram outros momentos juntos. No Rio, pai e filho correram os primeiros 5 quilômetros lado a lado, enquanto, em outro momento, Arnaldo acompanhou com orgulho a participação de Renan nos 21 quilômetros.
Mas, nessas provas, não estava apenas a relação entre os dois. Estava também a galera.
A corrida acabou criando uma espécie de rede de amizades em torno da família. No Rio, a experiência de correr junto ganhou ainda mais significado por estar cercada pelos amigos da Maximize. Na Maratona de Vitória, o cenário se repetiu: a prova se transformou em um encontro de toda a turma, com a galera reunida, treinando, torcendo e vivendo aquele momento junto.
Arnaldo e Renan Pagani correndo juntos no Rio. (Foto: Divulgação).
Quando a corrida também vira amizade
Entre os atletas mais jovens da Maximize, a corrida também acabou criando laços que ultrapassam os treinos. Nicole, Letícia e Luana chegaram ao esporte em momentos diferentes, mas encontraram umas nas outras companhia, incentivo e uma forma mais leve de viver a corrida. As três passaram a compartilhar provas, treinos e desafios, mostrando que, mesmo sendo um esporte individual, correr pode ser uma experiência construída em grupo.
Nicole Cerqueira, de 21 anos começou a correr influenciada pelo pai José Roberto, que também pratica triatlo e já treinava na Maximize. Na época, ela buscava uma mudança de estilo de vida e encontrou na corrida uma forma de sair do sobrepeso.
Ela gosotu tanto que em maio de 2026, foi fazer sua primeira maratona em Porto Alegre. Vieram cãibras, ansiedade e medo, mas também a sensação de dever de casa cumprido.
Para Nicole, uma das principais forças da corrida está justamente no coletivo. Ela define a modalidade como “o esporte individual mais coletivo” que conhece e destaca a importância do grupo de meninas que passou a fazer parte de sua rotina.
Já para Letícia Cypreste de 24 anos,o encontro com a corrida aconteceu de uma outra maneira.
Ela começou no final de 2023 depois de acompanhar o namorado Carlos Eduardo em uma prova de rua. A energia do evento despertou a vontade de participar. Inicialmente, correu sozinha, até perceber os atletas da Maximize pelas camisas verdes e procurar conhecer melhor a assessoria.
A corrida trouxe novas oportunidades e Letícia decidiu seguir a carreira de influencer digital. A parceria com a Adidas e a participação na Maratona do Rio marcaram toda sua trajetória.
Luana Giestas também começou sem grandes pretensões.
Depois de ser desafiada pela marca "Push Matcha" a criar um novo hábito, começou correndo entre um e dois quilômetros.
Meses depois, veio o convite para correr os 10 quilômetros da Maratona do Rio. Sem treinador naquele momento, ela gostou da experiência e decidiu voltar para fazer a meia maratona. Foi nesse processo que conheceu pessoas que treinavam na Maximize e recebeu indicações para conhecer a assessoria.
A corrida passou a representar também novas amizades, viagens e desafios pessoais. Nas redes sociais, Luana encontrou outra forma de compartilhar esse processo, buscando inspirar outras pessoas sem defender uma rotina baseada em extremos.
Seu conselho para quem está começando se aproxima da própria filosofia da Maximize: acreditar no processo, evitar comparações e entender que a evolução acontece com o tempo.
Letícia, Nicole e Luana com as suas amigas em mais um treino da Maximize.( Foto: Divulgação).
43 anos correndo atrás de grandes desafios
Se existe uma história que traduz a ideia de processo, é a de Georgia Costa de 55 anos.
Ela começou a correr aos 12 anos, por incentivo do seu pai, Edvaldo, que buscava uma atividade para ajudá-la a gastar energia. O que começou alternando caminhada e corrida se transformou em uma prática que permanece até hoje.
Aos 55 anos, Georgia soma 43 anos de corrida contínua, inclusive durante as duas gestações.
Sua chegada à Maximize aconteceu em outro momento da trajetória. Depois de uma lesão, um fisioterapeuta a encaminhou para Luiz para trabalhar a mecânica da corrida. Aos poucos, ela passou a fazer parte da assessoria.
Em 2022, alcançou uma marca que exigiu anos de preparação: completou as seis provas que formam as chamadas Majors.
O caminho até lá teve cirurgia de reconstrução do tendão de Aquiles, pandemia, mudanças nas provas e adaptações no planejamento. Ela já tinha inscrições para as últimas quatro corridas quando a pandemia interrompeu o calendário.
Para Georgia, a experiência reforçou a importância do planejamento profissional e da presença de uma equipe durante projetos de grande dimensão.
Sua história também carrega uma frase que ouviu do pai e que resume sua relação com o esporte:
“Você não é uma grávida que corre. Você é uma corredora que está grávida. E isto faz toda a diferença!”
Décadas depois de começar a correr, Georgia continua mostrando que grandes resultados não são construídos em uma única prova.
Georgia com sua medalha das Majors. (Foto: reprodução).
Quando o esporte precisa caber na vida
Para Fabio Chambo, o desafio tem outro formato.
Cirurgião Plástico, Fábio decidiu entrar no triatlo após completar a maratona de Chicago. Já tinha experiência com corrida e havia sido nadador na infância. Faltava apenas a bicicleta.
Como já treinava na Maximize, a transição aconteceu dentro da mesma estrutura.
O trabalho passou a integrar natação, ciclismo e corrida, mas sem ignorar a realidade de Fabio fora do esporte. Como médico e pai, ele precisava de um planejamento que coubesse na própria rotina.
A próxima meta é o Ironman 70.3 de Florianópolis, com a possibilidade de, posteriormente, encarar a distância completa.
Mas existe outro componente fundamental para quem pratica triatlo: a família.
Os treinos começam cedo, ocupam tempo e exigem mudanças na rotina. Para ele, o apoio familiar é essencial e o processo funciona melhor quando todos entendem e participam dessa jornada.
No caso de Fábio, essa adaptação é ainda mais importante. Entre a rotina como cirurgião plástico, a família e os treinos de natação, ciclismo e corrida, o planejamento precisa caber na vida real. Para ele, é justamente essa atenção individualizada que faz diferença na relação com a assessoria.
Fábio Chambo após a Maratona de Chicago.(Foto: Reprodução/Instagram @dr.fabiochambo).
Da piscina que ela não gostava ao pódio
Cristina chegou à Maximize por meio de uma amiga, Kátia Laranja, que a convidou para nadar. Apesar de Kátia já correr com a assessoria, Cristina tinha uma relação completamente diferente com a natação.
Quando criança e adolescente, não gostava de nadar. Aprendeu apenas para não correr o risco de se afogar e nunca havia imaginado que um dia participaria de provas em águas abertas.
Ela mesma descreve sua chegada como ter “caído de paraquedas” na Maximize.
E o que começou quase por acaso ganhou novos capítulos: João Moreno, Areia Preta-Peracanga e Iriri passaram a fazer parte de sua história esportiva.
Na primeira participação no João Moreno, veio uma surpresa: Cristina terminou em primeiro lugar na sua faixa etária.
Cristina atribui parte dessa conquista à confiança que recebeu de Fairo e Fernanda, que acreditaram que ela poderia realizar a prova. Mais do que ensinar a técnica, ela destaca a forma como Fairo a orientava, explicando cada etapa e transmitindo segurança durante o processo.
Cristina nadando no mar. (Foto: Divulgação).
O que fica depois da linha de chegada
As histórias de quem passou pela Maximize são diferentes, mas existe algo que aproxima todas elas: o caminho até o resultado importa tanto quanto o resultado em si.
Foi assim que a assessoria construiu sua trajetória no esporte capixaba respeitando etapas, adaptando o treinamento à realidade de cada atleta e mantendo como base valores como ética, responsabilidade e transparência.
No fim, talvez essa seja a essência da Maximize: não prometer onde o atleta vai chegar, mas estar ao lado dele durante o caminho.
Porque a linha de chegada marca o fim de uma prova. Para a Maximize, é o processo que dá sentido a ela.
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Sobre o autor
Renan de Oliveira Pagani é jornalista, apaixonado por histórias de superação no esporte. Atua na cobertura esportiva com um olhar voltado para o impacto humano por trás das competições. Acredita no jornalismo esportivo como forma de aproximar o público das histórias reais que acontecem dentro e fora das quadras.